There will be samba
Absolutely. I’d turn the prompt into a publishable open invitation to Brazilian musicians, writers, Machado readers, theater people, and AI experimenters, while retaining the complete six-part architecture.
Um Defunto, um Samba e uma Inteligência Artificial: Convite para Criar Memórias Póstumas — O Musical
Um projeto aberto para músicos, escritores, atores, leitores de Machado de Assis e pessoas curiosas sobre o futuro da criação com inteligência artificial
Tenho uma ideia um pouco absurda — o que talvez seja a melhor maneira de começar um projeto inspirado em Machado de Assis.
Quero transformar Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) em um musical brasileiro de samba, hip-hop, humor e sátira.
Não quero simplesmente pedir a uma inteligência artificial: “Faça um musical.”
Quero fazer quase o contrário.
Os seres humanos devem decidir o que a obra significa. A inteligência artificial pode ajudar a executar essa visão.
Uma IA pode produzir rapidamente vinte versões de uma letra. Pode experimentar uma rima, reorganizar uma cena, sugerir instrumentação, converter texto em voz ou ajudar alguém que não fala português a trabalhar com artistas que falam. Mas ela não sabe qual dessas vinte versões merece subir ao palco.
Essa decisão continua sendo humana.
Eu, por exemplo, falo inglês. Portanto, provavelmente dirigirei os agentes de IA principalmente em inglês, pedindo que produzam material em português brasileiro natural. Meu sistema de texto para voz já pode trabalhar com português. Mas isso torna a participação de brasileiros ainda mais importante, não menos: alguém precisa ouvir uma frase e dizer simplesmente: “Um brasileiro nunca diria isso assim.”
É exatamente esse tipo de colaboração que procuro.
Por que Brás Cubas?
Porque Machado praticamente inventou um narrador que pede um microfone.
Brás Cubas começa sua autobiografia depois de morrer. Livre da necessidade de proteger sua reputação, ele conta seus amores, fracassos, ambições e vaidades — embora rapidamente descubramos que estar morto não o tornou necessariamente mais confiável.
Os 160 capítulos extraordinariamente curtos do romance também parecem feitos para uma experiência musical moderna: números rápidos, interlúdios, interrupções, comentários ao público e mudanças repentinas de ritmo.
Minha proposta é organizar o musical em seis partes, com quatro canções-cenas em cada parte: 24 números ao todo.
PARTE I — O DEFUNTO PEGA O MICROFONE
Brás Cubas aparece depois da própria morte e anuncia que finalmente contará a verdade.
Conhecemos o Rio de Janeiro do século XIX, sua família privilegiada e o coro que representará sociedade, memória e cidade.
A famosa dedicatória de Machado abre a obra:
“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver…”
E então entra a música.
PARTE II — JUVENTUDE, DESEJO E AMBIÇÃO
Infância privilegiada, educação, Marcela, romances, expectativas familiares e a convicção persistente de Brás de que nasceu para realizar algo extraordinário.
Quatro números.
PARTE III — VIRGÍLIA
O centro emocional: Brás e Virgília, o casamento dela com Lobo Neves, o reencontro, o caso amoroso, a clandestinidade, o desejo, o ciúme e a maravilhosa hipocrisia da sociedade respeitável.
Quatro números.
PARTE IV — FILÓSOFOS E TOLOS
Quincas Borba entra em primeiro plano e apresenta o Humanitismo.
Aqui a sátira filosófica de Machado pode explodir musicalmente. Uma filosofia grandiosa e ridícula merece, talvez, um samba-enredo igualmente grandioso.
Quatro números.
PARTE V — A CONTABILIDADE DE UMA VIDA
Brás envelhece. Pessoas desaparecem. Projetos fracassam.
Seu maravilhoso Emplasto Brás Cubas torna-se símbolo de sua necessidade de deixar alguma coisa importante no mundo — preferencialmente alguma coisa que tenha “Brás Cubas” escrito nela.
A distância entre a vida heroica que ele imagina ter vivido e a vida que observamos começa a ficar impossível de esconder.
Quatro números.
PARTE VI — DÉNOUEMENT: O BALANÇO FINAL
Voltamos completamente ao narrador morto.
Brás fecha as contas.
Não alcançou a grandeza. Não produziu seu emplasto milagroso. Não conquistou a imortalidade que imaginava.
Mesmo assim, encontra um último saldo positivo.
O musical termina mantendo aquilo que Machado consegue fazer tão extraordinariamente bem: fazer o público rir justamente quando percebe que está diante de algo bastante sério.
Quatro números.
E como isso deveria soar?
Não quero fazer um musical americano de hip-hop e simplesmente colocar um pandeiro por cima.
Quero que seja fundamentalmente brasileiro.
A linguagem musical pode atravessar:
samba, samba-enredo, partido-alto, samba-canção, choro, MPB, funk carioca e hip-hop brasileiro contemporâneo.
Cavaquinho, pandeiro, surdo e cuíca podem conviver com beats e produção eletrônica.
Brás pode alternar naturalmente entre narrativa falada e rap porque ele controla a história.
Mas talvez exista alguém que não aceite inteiramente esse controle:
o coro de samba.
Brás conta sua versão.
O coro comenta.
Brás se engrandece.
O coro ri.
BRÁS: Eu conto a história.
CORO: Conta do seu jeito!
BRÁS: Eu digo a verdade.
CORO: A verdade de quem?
Esse talvez seja o mecanismo central do musical.
Brás Cubas acredita que a morte finalmente o transformou em um narrador absolutamente confiável. O público descobre que estar morto não tornou Brás Cubas menos Brás Cubas.
Onde entra a inteligência artificial?
Em todo lugar — e em lugar nenhum.
Ela pode ajudar a pesquisar o romance, localizar passagens, experimentar estruturas, gerar rascunhos de letras, comparar alternativas, produzir vozes temporárias, criar demos e permitir que alguém como eu trabalhe em inglês enquanto o material final é desenvolvido em português brasileiro.
Mas IA não é o diretor deste projeto.
Não quero terceirizar pensamento, gosto ou responsabilidade artística para uma máquina.
O processo que quero experimentar é:
Humano → visão → IA → alternativas → humanos → julgamento → revisão → performance.
A velocidade vem da máquina.
A direção vem das pessoas.
E isso também torna o projeto um pequeno experimento sobre o futuro da criação artística com IA: talvez a pergunta interessante não seja se uma máquina consegue escrever uma música.
A pergunta é quanto mais longe um grupo de seres humanos consegue levar uma ideia quando dispõe de máquinas capazes de executar rapidamente suas instruções.
Pedido de participação
Por isso estou publicando esta ideia antes de tentar terminá-la.
Procuro opiniões — e, potencialmente, colaboradores.
Gostaria especialmente de ouvir brasileiros, músicos, sambistas, rappers, atores, dramaturgos, tradutores, professores, estudantes e leitores de Machado de Assis.
Quais cenas precisam estar presentes?
Qual personagem merece uma canção?
Onde entra o samba?
Onde o rap funciona — e onde seria uma péssima ideia?
O que um estrangeiro inevitavelmente entenderá errado sobre Machado, sobre o Rio, sobre o português ou sobre o próprio samba?
E, talvez a pergunta mais divertida:
Se Brás Cubas realmente pudesse pegar um microfone hoje, que música ele cantaria?
A arquitetura inicial é simples:
6 partes.
4 canções-cenas por parte.
24 números.
160 capítulos de Machado para explorar.
Um narrador morto.
Um coro que não acredita inteiramente nele.
Agora precisamos de seres humanos.
I especially like the human/AI distinction here because it makes the project itself part of the experiment: AI becomes something closer to an extraordinarily fast theatrical workshop than an artificial playwright.
How it works
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